A linguagem visual na construção de uma imagem
pessoal
No final do século XIX, o arquiteto Louis
Sullivan estabeleceu um conceito que mudou radicalmente a
arquitetura e todas as outras artes aplicadas. Esse conceito é
resumido na sua célebre frase "a forma sempre segue a função." Em
1918, a escola de artes Bauhaus foi fundada sobre esse princípio,
por Walter Gropius e um influente grupo de artistas, e seus
ensinamentos mudaram definitivamente toda a área de artes visuais,
desde as Belas Artes ao Design.
Essa frase significa que, antes de se pensar no que será bonito ou
esteticamente agradável, é preciso pensar para que ou quem a imagem
serve. Há casas muita bonitas, mas desconfortáveis, escritórios
lindos mas nada funcionais. Há xícaras belas, mas difíceis de
segurar. E vemos cortes e penteados belíssimos, que, mesmo deixando
a pessoa bonita, não são adequados. Por exemplo, uma jovem médica
pode ficar linda com cabelos esvoaçantes, mas não despertará muita
confiança em sua competência.
Quando se pensa primeiro na função, esta determinará como a imagem
deve ser criada, para ser adequada, sem deixar de ser bela.
O visagismo, palavra derivada de visage, que, em francês, significa
rosto, foi criado por Fernand Aubry, em 1937, com o intuito de
alinhar a arte de criar uma imagem pessoal a esse mesmo conceito.
No entanto, nunca foi possível, ao cabeleireiro e ao maquilador,
aplicar esse conceito totalmente, porque lhes faltavam algumas
informações essenciais, principalmente sobre a linguagem visual.
Meu livro, Visagismo: harmonia e estética (Ed. Senac-SP) é o
primeiro que mostra como essa linguagem se aplica à arte de criar
uma imagem pessoal.
Em primeiro lugar, é preciso compreender que toda imagem expressa
conceitos, sensações e emoções. A imagem de uma pessoa é
constituída pelo seu formato de rosto, suas feições, sua cor de
pele, seu corte de cabelo, penteado, coloração, sua maquilagem,
adornos e, no caso dos homens, seus pêlos faciais. Esse conjunto
faz, literalmente, uma declaração ao mundo e à própria pessoa de
quem ela é, por meio da linguagem visual.
Todo mundo tem uma compreensão intuitiva dessa linguagem, mas
poucos sabem como realmente funciona. É a mais antiga e primitiva
linguagem dos seres humanos e a primeira utilizada para compreender
o mundo que nos cerca. Intuitivamente entendemos o que significam
as diversas linhas, formas, cores e outros elementos que compõem
uma imagem. É por isso que conseguimos sentir o que imagens
transmitem.
Pessoas que trabalham com imagens, inclusive os profissionais da
área da beleza, geralmente têm inteligência visual acima da média
e, instintivamente, sabem como lidar com uma imagem. No entanto,
para exercer o visagismo, é preciso conhecer essa linguagem
profundamente.
Esse conhecimento permite analisar as formas e os traços de um
rosto e saber o que expressam da personalidade de uma pessoa. Há
mais de 5000 anos os Chineses já haviam percebido que a
personalidade, ou temperamento, de uma pessoa é estampada no seu
rosto. Os Hindus e os Gregos da antigüidade fizeram a mesma
constatação e daí nasceu a Fisiognomonia , que é a arte de conhecer
o caráter das pesssoas pelos traços fisionômicos.
Com esse conhecimento, o profissional consegue, depois de alguma
prática, fazer uma leitura muita rápida de seu cliente. Em poucos
minutos analisa as características físicas e sabe que tipo de
pessoa é. Conversando com ela, descobrirá mais sobre ela: seu
trabalho, suas atividades, seu estilo de vida, seus desejos e suas
necessidades. Aí então saberá o que sua imagem deve expressar, para
lhe proporcionar maiores benefícios nos seus relacionamentos,
levantar sua auto-estima e criar bem estar em geral.
Nisso se estabelece um conceito, ou seja, a função da imagem, e
esse é o primeiro passo do processo criativo. Mas para criar a
forma mais adequada, que melhor expressa esse conceito, é preciso
dominar o uso da linguagem visual, conhecendo e estudando seus
fundamentos: luz e sombra, cor, composição, proporção áurea,
dinâmica das linhas e outros. Os fundamentos são baseados em
conhecimentos de física ótica (cor e luz), de matemática, de
geometria, de antropologia e das ciências cognitivas, que estudam
como funciona a percepção e a compreensão do mundo.
Beleza é criada quando o conceito transmite as qualidades da pessoa
- força, criatividade, dinamismo, meiguice ou autocontrole, por
exemplo - e quando a forma valoriza as características físicas
positivas, expressa harmonia e é criada de acordo com os princípios
de estética.
Finalmente, é preciso que o profissional domine as técnicas
diversas utilizadas na criação de uma imagem pessoal; corte,
coloração, penteado, maquilagem e outras.
Dessa forma ele pode direcionar seu trabalho, exercendo sua
habilidade e criatividade, com consciência daquilo que está
proporcionando ao seu cliente, sem que dependa da intuição. Saberá
o que a imagem que pretende criar expressará e poderá explicar isso
ao seu cliente, quase garantindo a sua satisfação.
Aqui está o endereço com uma ótima apostila com
informações sobre o curso de visagismo do senac:
http://www.sp.senac.br/downloads/105_visagismo.pdf
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